Xavier não foi o único!
Houve um dia em que a menina estava com um grupo de amigos numa
esplanada e aparece V., amigo do grupo. A menina era a única que não o conhecia
e foram feitas as devidas apresentações. Ele apesar de não conhecer a menina
sentou-se junto dela e tratou de tentar saber mais sobre ela. Falaram imenso e
riram pela tarde fora. Era um bom grupo, não faltava animação e V. parecia não
ser excepção. Além disso, tinha uns olhos encantadores! E a menina tinha a
sensação de já se ter cruzado com ele algumas vezes na escola. Mas um galã
daqueles, sempre rodeado de meninas, provavelmente não se lembraria dela ou,
até mesmo, nunca tinha reparado nela e nem se quer fazia ideia que eram da
mesma escola. Mas ao longo da conversa veio-se a confirmar que sim, eram da
mesma escola! V. certificou-se de que ficava com o contacto da menina antes de
ir cada um para sua casa.
E a conversa continuou via sms (que seria dessa
juventude de hoje em dia sem as famosas “sms’s grátis” ou, mais recentemente, o
watsapp!). Trocaram sms’s a noite toda e no dia seguinte cruzaram-se na escola
e ele já lhe dirigiu palavra (para ela não era a primeira vez que se cruzavam
mas para ele era). Foram dar umas voltas e ele mostrou-se sempre muito
atencioso, delicado e carinhoso. Mal sabia a menina que se tratava de um lobo
em pele de cordeiro. Uma vez mais, era lindo fisicamente mas com o passar do
tempo começou a revelar o seu lado estúpido e cruel. Muito cruel! Era uma
autêntica C. mas do sexo masculino. Criou a sua armadilha muito bem criada até
que a menina nela caiu.
Ao início até não foi mau, mas não era nada sério e só
depois a menina percebeu o porquê da aversão dele a “namoro”. Ela não era a
“única”, não era “exclusiva”. Digamos que ela era a menina da “quarta-feira” e
depois havia a da segunda, da terça, e por aí fora! Ela não queria isso para si
mas ele não queria perder um dos seus “troféus”, pelos vistos. Inicialmente se
desculpou todo meigo e a menina, que até se tinha afeiçoado a ele, decidiu dar
uma oportunidade mas ele não mudou. A menina sofreu, sentia saudades e sentia
ciúme. O vê-lo com outras fazia-lhe perguntar-se “Será essa a de segunda ou a
da terça” mas quando ele vinha todo meigo as saudades falavam mais alto. Até
que chegou um dia que ela se fartou! Ele não queria nada sério e ela achou já era
demasiado tempo a brincar ao “curte-curte”. Eram diferentes, viam a vida de
forma diferente e queriam coisas diferentes. Ela queria algo sério, ele queria
ser livre como um pássaro mas tê-la sempre à sua espera para quando chegasse o
dito dia dela, para quando lhe apetecesse a ele estar com ela. Não se importava
com sentimentos dela. Apenas com o seu [dele] bem-estar.
O menino dos olhos
lindos era na realidade um grande egoísta que não pensava em ninguém e usava as
pessoas, nomeadamente as moças, a seu bel-prazer. Aproveitava a sua imensa
beleza física e lá fazia uma coleção de “troféus”. E demorou até haver
“separação total”. E não foi muito pacífica! Ele conseguiu despertar vários sentimentos
na menina. No início admiração e encanto, depois saudade e ciúme e, por fim, medo!
Houve uns tempos que a menina tinha medo! Ele não queria ficar sem a menina de
“quarta-feira” e até a chantagem psicológica recorreu. Mas depois apareceu uma
outra menina para a “quarta-feira” e ele já tinha com quem se entreter e
acabaram-se as “torturas”.
Todavia, uns tempos depois, deve ter ficado com a
“quarta-feira” livre novamente e voltou a falar com a menina mas mais
serenamente. Tentaram ficar amigos, mas lá de tempos a tempos ele insistia e
tentava comovê-la com conversas de “saudade” e a menina já não acreditava, já
não queria saber! A única solução era mesmo o corte definitivo! Nada de
conversas! Cada um para seu lado…
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