Chegou o sol! Viva o bom tempo! Sê bem-vindo, verão!
É o último dia de aulas, uma festa! Estão todos felizes. E
aquela menina ali está mesmo triste porquê? É a única que detesta o último dia
de aulas. É a única que detesta férias.
Férias para ela é sinónimo de dias aborrecidos e de solidão.
Férias para ela é de vez em quando sair para ir às festas das freguesias
vizinhas. Ver procissão umas cinco vezes, em sítios diferentes, e depois casa!
E eis que está ela numa destas festas…
- Qual é essa banda que está a apresentar-se? – Pergunta-lhe
D.
- Sei lá! – Responde a miúda com ar aborrecido - Achas mesmo
que estou atenta? Já devias saber que não me interesso por filarmónicas. É mais
do mesmo. Parece vira o disco e toca o mesmo! («Quem me dera estar noutro lugar!»
pensou «Que tédio!»)
- Olhem só quem é
ele! – Exclama D. todo entusiasmado. – Ei Q., aqui!
- Menos D., please! Que vexame, não é preciso tanto! – Pede a miúda envergonhada com o “show” mas contente por ver Q. («Pelo menos esta
banda tem algo para “alegrar as vistas”»! – Pensa ela). Nisto, a filarmónica
já acabou a sua peça e Q. aproxima-se.
- Então D. não sabes que é má educação assistir à procissão
de boné? – Brinca Q.
- Mas o guião ainda nem saiu! – Responde-lhe D. – E já
chegaram as bandas todas? Não me parece.
- Não interessa D. – E com isto afasta-se e volta para o seu
lugar para começar a tocar.
- Vou me sentar junto do coreto! – Informa a miúda (que já
tinha visto o que lhe interessava e agora o resto era mais do mesmo!).
Está ela então sentada quando de repente é “invadida” por
uma sensação de estar a ser observada. Olha para os lados e quando olha para a
frente seus olhos se deparam com uns olhos a olhá-la muito fixamente. A miúda
fica “desnorteada” e neste preciso momento uma das crianças que brinca às escondidas e às apanhadas agarra-se à manga da blusa dela de uma forma que a desequilibra e quase vão
parar as duas ao chão! Como se não bastasse aproxima-se D. que pergunta:
- Ei miúda, como é que fizeste esse rasgão?
- Onde? – Pergunta a miúda toda a trapalhada e a pensar que
mais lhe irá acontecer. E os tais olhos sempre a “mirá-la”.
- A tua manga! Não me digas que ainda não tinhas reparado!
- Bolas! Deve ter sido um dos miúdos que estão aí na
brincadeira que lembrou-se de me agarrar e olha a blusa como é fina foi este o
resultado. – Responde a miúda.
- E outra coisa, já reparaste naquele rapaz que ainda não te
tirou olhos de cima? Às tantas ele já reparou nessa manga.
- Pois deve ser isso! – Responde a miúda já a ficar desconfortável
com toda a situação.
- Bem vamos então comer um gelado e vamos embora.
– Sugere D.
- Já? Então dessa vez não vais querer voltar a ver a
procissão mais umas quatro ou cinco vezes? – Reclamou a miúda que queria ficar e
descobrir quem era o dono daqueles olhos que continuavam a observá-la. – Que admiração.
Não queres ver de novo o Q.?
- Que admiração digo eu! Tu ficas sempre aborrecida de ver e
ouvir sempre o mesmo! E o Q. eu vejo-o todos os dias.
Mas a miúda já não estava a ouvir, pois, de repente, do nada,
o dono daquele olhar arrebatador desapareceu!
- Vamos embora então! – Responde a miúda a pensar «Não sei
porquê ele tem cara de Xavier! Mas pelos vistos não irei saber se é mesmo
Xavier ou não o nome dele».
Chegado ao carro eis que do outro lado da rua, uma vez mais
frente a frente, está o “Xavier”. Ambos entram para os respetivos carros mas sempre de “olhos postos” um no outro.
Infelizmente, os carros seguem direcções opostas.
Chegado a casa a miúda continua a pensar naqueles olhos e se
algum dia os voltará a ver!
Será, como sempre, apenas mais uma história que ficará na
memória? É que dessa vez nem o nome dele ela soube. Mas fica então batizado por Xavier!
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