Foi a miúda colocar o lixo à rua e de repente passa uma moto
bem perto dela, assustando-a. No entanto, mais do que assustada, fica parva!
Parecia ele, o dono dos tais olhos! O tal que apesar de não saber o seu nome “cismou” que tinha cara de Xavier. E assim o baptizara, Xavier, o dono daquele olhar!
Nisso um cheiro a queimado interrompe seus pensamentos:
- Bolas! Queimou-se-me o arroz! Não acredito. Logo a "lengalenga" do costume “estou sempre a dormir e blábláblá". Que chatice! Acaba-te
verão!
Rapidamente (ou não) acabou a dita estação. E, passados cerca
de dois meses, está a miúda à procura do seu horário no meio de tantos afixados
e eis que no meio da multidão alguém lhe parece familiar.
- Não acredito! O Xavier! Que faço agora? Será que se lembra
de mim?
Mas, no meio de tanto
nervosismo perde-o de vista de novo (como há 2 meses atrás). De repente, alguém
lhe toca no ombro e ela com coração a 1000 à hora espera que seja ele. Mas não!
Que desilusão.
- Ah… És tu. («Com tanta gente e tinha de ver-te logo a ti»,
pensou ela) Ia agora mesmo embora. Tem muita gente mais logo vejo. – E
afasta-se a pensar naqueles olhos que a miraram de alto a baixo há 2 meses
atrás! E que já nem se recordava deles! – Como me pude esquecer daquele olhar!
– Sussurrou. – E lá o perdi de vista de novo. E além da desgraça vinha o
desmazelo! Credo em Cruz! É que se não fosse chato como a potassa… Até que
também tem uns olhos lindos. Mas bolas que lapa! Antes pensar no Xavier! – E nisso
vê de novo a tal pessoa e repara que afinal não é o Xavier! – «Bolas! Ia jurar
que era ele. Como é possível? Será um irmão gémeo?» - Pensou - «Tenho de
descobrir quem é!»
Passados uns dias, começam então as aulas. Ano novo, turma
nova, tudo novo!
Como se isso não bastasse, a primeira aula não foi muito
“recetiva”. O professor tinha ar demasiado severo e os alunos saíram de lá de
“cabelos em pé”.
No entanto, as coisas foram-se compondo. Rapidamente a miúda
meteu conversa com os novos colegas, começou a fazer novas amizades e passadas
umas semanas já tinham o “seu sítio” onde passavam os intervalos e horas de
almoço.
Para espanto da miúda, o tal que parecia ser o Xavier
começou a frequentar o mesmo sitio que ela e suas colegas.
- Porque tanto olhas para aquele grupo? – Perguntou-lhe uma
das colegas.
- Porque aquele rapaz é tão parecido com um que vi este
verão numa festa. Caramba! Será irmão gémeo?
- Isso não sei, pergunta-lhe! – Sugeriu a colega, mas,
nisto, toca para a entrada e vai cada grupo para a sua sala.
No intervalo seguinte eis de novo para o mesmo sítio e, para
confundir ainda mais a cabecinha da menina, o presumível “gémeo do Xavier”
começou também com uns olhares para ela que a baralharam toda.
Os olhares
continuaram nos dias seguintes, até que, a miúda decidiu “por mãos à obra”. Fez
umas pesquisas e conseguiu descobrir o seu nome e não, não era Xavier! Mas queria descobrir mais, estava curiosa.
Continuou as pesquisas e até houve algumas “perseguições”, mas o raio do rapaz
parecia mesmo o Xavier! Num instante desaparecia, deixando a miúda “danada”,
sendo que, numa das vezes que desapareceu, ao fim de uns minutos aparece-lhe à
sua frente, para espanto da miúda.
Era já tempo de acabar com a brincadeira das "perseguições", pois, pelos vistos, ele já se tinha apercebido de tal e, além disso, a brincadeira
começava a espalhar-se e tornar moda, visto que uma das colegas da menina achou piada e quis fazer o
mesmo, levando-a de arrasto… Sim, de arrasto! Puxava-lhe pelo
braço e lá tinha a miúda de perseguir um alvo que não era o seu!
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