Page 5 - A rapariga que corre mais que a “bertinha”!

Numa das muitas horas de almoço em que a (já mencionada) menina passava-as sozinha na escola (ou porque os restantes colegas iam almoçar a casa ou porque estavam a namorar, whatever!), estava ela aborrecida a passear ali nos arredores da escola quando, de repente, plim!, a brilliant idea!
Havia um sujeito mais velho (mas não muito) que era o “aí jesus” de algumas das meninas da turma e, digamos, a menina em questão tinha olhos na cara (e continua a ter, supostamente) e, quiçá, até bom gosto, diga-se de passagem.
Passa a famosa “bertinha” e ela vê, nem mais nem menos, o “aí jesus” na dita-cuja. Ela que já estava farta de estar às voltas e nada de passar a hora decidiu “embarcar” numa viagem sem destino, mas com uma “paisagem” linda! (Viagem que veio a ser alvo de muita inveja posteriormente!)
Subiu então a bordo, toda contente e tal, mas, às tantas, os olhares do dito-cujo “aí jesus” a deixaram meia atrapalhada e, para disfarçar, desceu logo na próxima paragem da “bertinha”.
Olha para cima e olha para baixo «Agora é que está bonito! Vim apreciando a “paisagem” e não faço a mínima ideia de onde estou.» Pensou a menina perdida algures numa cidade não muito grande. Mas, eis mais uma ideia brilhante daquela cabecinha pensadora: «A “bertinha” vai voltar ao mesmo sítio, então, ´bora segui-la» e, como ainda conseguia avistar a “bertinha”, começou a correr, que nem Rosa Mota, atrás da dita-cuja. Para sorte dela (porque correr atrás da “bertinha” não era fácil) ao virar da esquina já começou a ter uma ideia de onde estava e, já ia “bertinha” longe, seguiu viagem mais calmamente até à escola.
No entanto, a hora voou enquanto ela se aventurou na viagem e “Aí jesus, tenho de correr de novo se não vou-me atrasar!” E assim foi. Correu rua abaixo, virou na outra, entrou na seguinte e eis escola à vista.
Mas, como uma “desgraça” nunca vem só, para sua surpresa e vergonha, na altura que está a chegar à escola passa a “bertinha”. Pobre menina, tanto que quis disfarçar e agora o olhar dele parecia perguntar: «Ei miúda és aquela que desceu lá em cima tão longe ou és a irmã gémea?» Ela só queria um sítio para se esconder!
Chegado ao pé da sala de aula, já estava quase toda a turma e estranharam a menina pontual chegar quase em cima da hora. O seu ar cansado não lhe permitiu responder às imensas perguntas que surgiram do seu “quase” atraso e do seu ar cansado como se tivesse corrido a maratona (e provavelmente o fez!).
Quando finalmente recuperou o fôlego, e após sair da sala de aula, explicou a sua viagem alucinante, o que despoletou em uns gargalhadas sem fim e a umas uma inveja louca de não terem tido essa ideia/coragem.
A história se espalhou e durante uns dias a menina era «aquela tal que corre mais que a Rosa Mota e até ultrapassa “bertinhas”».
Haja alegria! E haja saúde!
(É o que é preciso!)

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